É óbvio!

Alice está sentada em sua cadeira. De repente, curva-se. A cabeça pendida para frente, os braços espremidos à altura do abdômen, as pernas enrijecidas e esticadas. Silenciosa, ela se concentra. Vai escalando a própria força em sincronia com o franzir da testa. Alguns segundos em contraída reverência. Em seguida, os músculos desfazem a tensão, as pernas se dobram lentamente, a cabeça é novamente elevada até o encosto, os braços abrem espaço para o ar. O semblante da pequena é de alívio. Começa então a capoeira. Uma ginga ininterrupta vai girando seu quadril para o lado. Ela empina o corpo, arqueia as costas, apenas a cabeça e as canelas mantém contato com o assento. Entendo o chamado, mas nem sempre atendo prontamente. É a senha para um segundo apelo, o choro desesperado. Pego os 16kg de esperteza no colo e vou me dirigindo ao seu quarto. O movimento é suficiente para autorizar um sorriso maroto, safado mesmo. Se restava alguma dúvida, desfez-se. Todo o gestual poderia ser resumido em um sonoro: mãaaaaaaaaeeeeee, acabeeeeei!
A vida não verbal, às vezes, é tão óbvia…

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