Valsa do tempo 

Na consulta periódica para exame específico da visão, a oftalmologista pergunta:

– Ainda usa a lamotrigina?

– Não. 

– Ácido valpróico?

– Também não. 

– Clonazepan… Rivotril? 

– Felizmente não. 

– Topiramato? 

– Não. 

Quais os medicamentos, agora? Apenas um, em conjunto com o canabidiol e dieta cetogênica. A operação de subtração resultou nos ganhos mais expressivos na saúde e na qualidade de vida de minha pequena. 

Por pouco não valsei, sozinha, no consultório… estou certa de que flutuei, levada no assobio do alívio. 

É um conforto ter recursos aos quais recorrer, quando se precisa. E é ainda melhor não precisar deles, vencer etapas, conciliar expectativa e realidade sem litígio nem anestesia. 

Alice ainda tem convulsões? Tem espasmos pontuais, sobretudo na transição do sono. Mas também tem presença, alegria, conexão. Tem vontade que expande seus tantos caminhos, entusiasmo que vai arando o lugar por onde passa. Tem saúde se descobrindo nos abismos e nas intempéries, firmando pé. 

E eu? Eu tenho um respeito fundo e denso pelo tempo de cada um. O dela, o meu, o seu. O nosso.

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