Cotidiano que faz florescer

A gente vai compartilhando o cotidiano com o outro e isso revolve a gente por dentro. Fundo. Expõe-se sem cerimônia. Humores, dores, preferências, trejeitos, limites. Carne e alma arados pelo olhar estrangeiro de outra pele, outro gosto. Outro ser. Pouco a pouco, a impermanência se faz constância. A constância pode se fazer encontro. Nosso estar junto, no cada dia, é terra nua. Fértil para o broto de sentimento que o convívio trata de adubar. O que virá à tona depende da rega. Do cultivo. Da entrega. Da generosidade. Da oportunidade. Da liberdade. Difícil abraçar o cotidiano assim. Difícil. Mas se a gente aprende… ah, se a gente aprende a colheita é capaz de nutrir multidão!
Aprendi sobre essa lição na escola da Alice, observando o convívio das crianças a partir de um lugar duplamente privilegiado. O de mãe de uma delas e o de cidadã que sonha com um mundo que respeita e valoriza as diferenças. Minha pequena ficou três semanas longe do convívio dos colegas, curando doença, restaurando saúde. Retornou ontem à sala de aula: alegria salpicada em abraços, beijos, carinhos, curiosidade. Floresceu esse buquê. Pétalas e tons escolhidos por outra pequena menina especialmente para Alice, contou-me sua mãe. Foi assim que vi o convívio fazer brotar, com tamanha delicadeza, a empatia. As mãos, agora, estão cheias de flores, e o peito semeado de esperança.

 

flores

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