Palavreando

Tudo se embaralhou de novo. As noites se tornaram curtas para tanta peleja com as convulsões. Os dias se estenderam na irritação que o corpo enrijecido anunciava. Punhos cerrados, ranger de dentes, pernas endurecidas, corpo que não encontra aconchego.
Suspensa a alegria. Agora principiavam a dúvida e a angústia.
Ajustamos a medicação e vasculhamos o corpo da pequena Alice em busca de qualquer pista da causa desse desequilíbrio. Exceção ao dente nascendo, nada de novo. Decidimos aguardar o dia seguinte, e o outro, e o outro… até que algo se apresentasse.
Confiamos em sua capacidade de lidar com as intempéries, em nossa condição de contornar esse caminho tortuoso que já nos é mais do que conhecido, companheiro.
Enfim, a revelação.
Não era uma virose, uma gripe, uma inflamação, uma infecção. Não era a doença. Era a saúde do corpo tentando estabelecer caminhos para manifestar seu desejo.
Alguns curto-circuitos depois, a expressão autêntica da busca: um ensaio de palavras.
O desejo de minha filha tem som suave, tem gesto firme que desvia dos percalços e atende pelo nome de conexão
.

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