A… de Alice!

Uma mãe jornalista.

Um pai educador físico.

Uma filha que não fala, tampouco movimenta o corpo com precisão.

Alice, essa adorável subversiva, revolucionou tudo o que estudamos, aprendemos e ensinamos sobre comunicação verbal e expressão corporal. Ouso registrar algumas passagens de seu diálogo conosco. Uma conversa cotidiana, de pé de ouvido, que prescinde das palavras para ser efetiva e provoca todo tipo de transformação. É mais ou menos assim que Alice nos conta sobre si mesma:

Lição 1. Sou avessa a obviedades. Não esperem que eu diga sim para o que desejo, não para o que não quero. Também não vou balançar a cabeça. Isso é difícil para mim! Mas podemos criar um código nosso, a partir das minhas possibilidades. É fato que vocês vão precisar se dedicar para se tornarem aptos a entender. Vão abandonar as conveniências e os consensos. Vão esquecer o próprio umbigo. Eu também me esforçarei bastante. Em contrapartida, todos nós aprenderemos!

Lição 2. Não se enganem: eu tenho vontades, desejos, preferências, intenções… Muitos! Não tentem me obrigar a comer o que não gosto, ou a brincar do que não quero. Não terão sucesso! Sem dizer uma palavra, vou trancar a boca, enrijecer o corpo e empurrar forte. E vou aprimorar as estratégias para essa comunicação todo dia. Isso é uma promessa.

Lição 3. A melhor coisa do mundo é ter a oportunidade de escolher! Gosto de escolher a blusa que vou vestir, o brinquedo com o qual vamos brincar, o colo no qual quero descansar. Gosto muito! Perguntem-me e nós encontraremos maneiras de eu lhes dizer o que me satisfaz. E, principalmente, o que não.

Lição 4. Gosto quando conversam comigo. Explicam-me o que vai acontecer no dia, contam-me as novidades e descrevem detalhadamente o que está a minha volta. É como se vocês fossem traduzindo e significando algumas situações que me chegam como sensações. Eu me sinto segura assim, embalada na voz e na narrativa de vocês.

Lição 5. Tenho o próprio tempo. Se me perguntarem algo, aguardem pela resposta. Segundos, minutos, o tempo que for. Aguardem e estejam atentos a qualquer sinal de resposta. Se não puderem aguardar, prefiro que não perguntem. Repetir a pergunta insistentemente não apressa a resposta, só me causa ansiedade.

Lição 6. Não me perguntem o que não consigo responder e não respondam em meu lugar, ou falem por mim. Ajudem as pessoas que estão próximas a fazer o mesmo. Se me perguntarem, por exemplo, “como você passou o dia”, dificilmente responderei. Experimentem “você está bem?” Tenho diversas entonações para cada estado de espírito e gosto muito de praticá-las. Apenas preciso da oportunidade certa!

Lição 7. Gosto de aprender alternativas e formatos para nossa comunicação, especialmente quando percebo sentido nas propostas. Alguns, vou adotar de primeira. Outros ficarão para depois. Qualquer que seja a situação, mostrem-me. De novo. E de novo. Carinhosamente. Vocês também podem experimentar fazer junto comigo. E experimentar de novo. A repetição com significado é minha aliada.

Lição 8. Nossa comunicação é sintonia e sinfonia. Eu me expresso nas sutilezas, que exigem entrega, atenção, cumplicidade nossa. Nós nos surpreenderemos com as possibilidades que criaremos juntos, dia após dia! Nossa melodia terá o ritmo das descobertas e o tom da nossa intimidade. Por meio dela, teremos sempre ouvidos, olhos, coração em comunhão com a beleza e o encantamento.

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