Multa moral

Tudo começou quando resolvi tomar nota de quantas vezes precisei usar a vaga destinada às pessoas com deficiência e a encontrei ocupada por pessoas que não tinham esse direito. Entre 21/11 e 21/12/2015, em Belo Horizonte, cidade onde moramos, eu e minha filha Alice precisamos usar a vaga 36 vezes. Destas, 25 vezes (69%) as vagas estavam ocupadas indevidamente, 4 vezes (11%) estavam ocupadas devidamente, e 7 vezes (19%) estavam desocupadas.
 
Indignada com o desrespeito ao direito à acessibilidade, criei uma mensagem simples, que pode ser deixada nos carros que ocupam as vagas indevidamente. Imprimi no formato de adesivos (meia folha A4) e passei a levá-los no porta-luvas do carro, na mochila de minha filha, em todo lugar aonde vamos. Essa foi a maneira que encontrei de nos posicionarmos sobre a necessidade do respeito à legislação e, sobretudo, da prática da empatia para a convivência em sociedade. Não dói no bolso, não é ação da prefeitura. É um convite à reflexão, de cidadã para cidadão, em torno do aprendizado árduo e contínuo que é conviver.
 
Depois de postar sobre a iniciativa em minha página pessoal no facebook, recebi sugestões de aprimoramento e ampliação da mensagem (incluindo os idosos), além de centenas de pedidos do adesivo para distribuição pelas ruas afora.
O mais impressionante é que as pessoas escrevem narrativas solitárias sobre as dificuldades encontradas no dia a dia para terem garantido seu direito à acessibilidade. “Aqui em Poços de Caldas ninguém respeita nada”, diz uma mensagem. Abro a seguinte: “aqui em Mauá é um golpe de sorte conseguir fazer uso dessas vagas:, e a seguinte “Em Salvador, ninguém respeita o nosso direito”… e por aí vai!
 
Assim, espero que esse movimento nos ajude a fazer nossas narrativas solidárias, ao invés de solitárias, unindo forças para lutar pela qualidade de vida. Porque nós temos voz e temos direitos (e deveres)!
 
(apenas uma correção na chamada da reportagem, logo abaixo: a iniciativa foi de uma cidadã – eu! – e não de uma empresa.)
 
O texto do adesivo diz assim:
“Olá!

Notei que você estacionou na vaga reservada às pessoas com deficiência, embora você não possua a credencial.
Sua atitude impediu que alguém que tem esse direito pudesse exercê-lo, e causou grande transtorno! Espero que repense seu comportamento e assuma o respeito à legislação e ao direito humano como um princípio de sua ação cotidiana. Obrigado(a)!”

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