O cansaço e o descanso

Há dias, um cansaço vai se instalando. Sem convite, sorrateiro, vai amolecendo o corpo, pesando as pálpebras, desobedecendo os compromissos. Noites seguidas dormindo o tanto que não descansa, acompanhando o sono interrompido da pequena Alice, que sofre com uma inesperada prisão de ventre. Tem também um choro da ave Maria, infalível às 18h. É sono que dói, ela me conta entre lágrimas. E como sei!…
Decido, então, ajudar-nos, eu e ela, a resgatar o repouso e a tranquilidade. Encho a banheira dela com a água quente que promete dissolver, relaxar, envolver, transformar. Imersa, Alice me convida ao silêncio que nos sintoniza à respiração. Extero-gestação. Ali também gestamos a paz. Já não dói.

A água, então, dá lugar ao meu toque. Vou massageando cada parte do corpinho espástico de minha forte menina. Alongo, estico, acaricio, à meia luz, uma música suave. Com as mãos, vou dizendo a ela que a pele tem memória, que pode levá-la de volta ao lugar do bem estar. E enquanto seu corpo se desfaz da dor e acolhe meu calor, sinto também o meu corpo sossegar. Meu descanso mora nela. Seu conforto mora em mim. Pergunto, então: gostou do carinho, filha? Ela me olha fundo e denso, levanta o braço desajeitado, e pousa a mão no meu rosto. E o seu toque cura os meus dias.

cabelos

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