Carta à Alice

Querida filha Alice,

Desde que você nasceu, faço da vida uma rima da gratidão. Mas hoje, especialmente, quero agradecer, mais uma vez, por você ser minha filha.

Por sua causa, a noite de ontem teve o lumiar brotado do chão. Tive a oportunidade de conhecer pessoas, muitas delas mães e pais, com histórias e experiências tão diversas quanto bonitas. Nós nos emocionamos muito, sabe, filha? Cada um que falava emprestava mais emoção e cumplicidade ao que nos propúnhamos. Nós também confabulamos sobre as transformações que gostaríamos de ver em nós mesmos, nos nossos filhos e no mundo. Falamos de um jeito bonito sobre a esperança, filha. Daquele jeito que você me ensinou.

Nós agora somos um grupo de pessoas que quer compreender e promover a diversidade. Para isso, nós começamos compreendendo a nós mesmos, por meio da ferramenta mais preciosa de que dispomos: a conversa. Conversamos muito e abrimos espaço para nos ouvir com todo o nosso corpo. Como você também me ensinou, filha. Transbordamos, muitas vezes. Mas também nos fortalecemos. Agora somos um grupo de adultos, movidos pela mão das crianças, nessa ardilosa tarefa que é viver. Como você faz comigo, filha. Como a Manu faz com a Silvia, o Henrique faz com a Thais, a Cecília faz com o Marcelo, a Alice faz com a Viviane… e tantas outras crianças, algumas já crescidas, que um dia, certamente, você vai conhecer. Nós agora estamos juntos para tentarmos ser ainda melhores para vocês, nossos filhos. Por vocês. Com vocês.

Sabe, filha, antes de você nascer, eu pensei que lhe apresentaria o mundo. Então você chegou e reorganizou as coisas a seu modo. É você quem apresenta o mundo pra mim. Cada novo olhar que você me propõe vem carregado de coragem, de empatia, de amor e de esperança. Os significados que você inaugura me atravessam, me ultrapassam, algumas vezes me escapam. Mas sempre, sempre me fazem querer mais da vida. Por isso eu e essas outras pessoas que contei a você estivemos juntas ontem à noite e nos comprometemos a estar juntos muitas outras vezes para compartilhar experiências, para estudar, para debater, para projetar. Para que nós possamos ter e aprender da vida tudo o que ela generosamente está nos oferecendo.

Obrigada, minha filha. Por me possibilitar conhecer essas pessoas, essas histórias, esses amores. Obrigada por nós.

Um beijo na ponta do nariz, saltitante de esperança,

Sua mãe

(por um lapso imperdoável, esquecemo-nos de registrar uma foto da primeira reunião do grupo…)

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