Bate-coco

A conquista do movimento como festejo à sincronicidade de mãe e filha. Foi assim que celebrei o primeiro “bate-coco” entre nós duas, Alice e eu. Com um ano de idade, ela se esforça para controlar o pescoço e sustentar sua cabeça. Embora já tivesse feito essa conquista anteriormente, as sucessivas convulsões que a acometeram com mais intensidade durante determinado período seqüestraram parcialmente seus avanços. A cabeça ainda parece pesada e está amparada por um lábil equilíbrio.
Começamos de novo. Enquanto nos abraçávamos e brincávamos, provoquei: vamos bater coco? Inclinei minha cabeça até metade do caminho e esperei, imóvel, por sua resposta. Alice, então, conduziu sua cabeça até a minha. Sutilmente. Vagarosamente. Intencionalmente. Amorosamente. Tête-à-tête, minha emoção se encontrou com o seu contentamento. Minha filha fez do corpo o suporte para a manifestação de nossa intimidade. Naquele breve instante, olhos nos olhos, o afeto que nos move foi nossa confidência e nossa promessa.


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