7º COMPÊNDIO AMOROSO

Semana passada, o Diário se reafirmou como espaço para a empatia, a solidariedade e a compreensão (da gente mesmo, do outro e do mundo). Aconteceu aqui o encontro de mães e pais que se sentem ou já se sentiram assombrados pelos sentimentos da culpa, da incapacidade e da incompetência em função da prematuridade de seus filhos.
Ao que relatei sentir, como mãe da Alice, a Diane Albuquerque acrescentou; “por um momento também me senti incompetente, principalmente quando ouvi os médicos dizerem: ´sua barriga não é mais boa pra bebê´. A incubadora substituiu minha placenta, que já estava apodrecida. Porém, parei de me culpar logo que ela nasceu, na realidade eu não tinha culpa de nada”. A mãe de gêmeos, Ana Paula Batista, emendou: “os meus nasceram antes também e o diagnóstico médico foi incompetência istmo-cervical… Fiquei com esse nome na cabeça por um tempo – a culpa, o problema eram meus… Mas em minha quase clausura para segurá-los no ventre, pude perceber que culpa era uma palavra que não poderia existir no nosso relacionamento.” E a Elaine Cristina Pereira Caetano engrossou o coro: “meus filhos se recuperaram muito bem da prematuridade na UTI, mas por causa da HELLP (complicação obstétrica considerada uma variação da eclâmpsia) eu não estava lá para amamentá-los ou oferecer a primeira mamadeira, para o primeiro banho ou ver os seus olhos abrirem para a luz pela primeira vez e levá-los pra casa. Hoje eu penso que tudo acontece a favor da nossa evolução. Minha incompetência veio para me ensinar a paciência e resignação”.
Mesmo quem não teve filhos prematuros, como é o caso da Erika Souza, defendeu a opinião de que esses receios são de muitas mães. “Independentemente de nossos filhos serem prematuros ou não, o medo da incompetência, da incapacidade nos ronda, nos assombra. Mas como disse Guimarães Rosa, a vida afrouxa e aperta… o que ela quer da gente é coragem”, lembrou a Erika. E então veio a Gina Yara para nos redimir a todas, propondo a troca de uma palavra. “Substitua incompetência por impossibilidade. Não estava ao seu alcance decidir sobre isso”. E agradeci à Gina a oportunidade de trazer luz à consciência e atribuir outro significado às experiências vividas.
Afinal, nossas vivências, percepções, opiniões e sentimentos, generosamente aqui partilhados, misturaram-se no calor da empatia e se transformaram na matéria da reparação. Coisa bonita e rara de se ver. Sigamos confiantes e solidários nos enfrentamentos da vida!

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