Sobre dores e amores – por Gina Yara

Fechamos com chave de ouro a série das doze histórias de amor. Mas essa não será a última! Explico no próximo post.

Por enquanto, fiquemos na companhia do afeto e da entrega da Gina Yara, que teve um feliz encontro com a Kelly. Juntas, elas construíram esse bonito amor de mãe e filha que está relatado a seguir.

À Gina e à Kelly, agradeço essa generosa partilha que renova a fé na vida e nas pessoas. Obrigada!

“Você me deu essa liberdade, então vou aproveitá-la. Vou contar a história de amor que acontece em minha casa, há 11 anos, quando vi pela primeira vez uma garotinha sofrida, desnutrida ao extremo (em seu 1 ano de vida pesava 4,8 quilos), cuja única atividade que sabia fazer sozinha era chupar o dedo e estender os braços pedindo colo.
Nosso encontro foi no abrigo público de Brasília, onde eu e meu marido fomos fazer trabalho voluntário “pra desestressar” e o primeiro bebê que vi foi ela. A partir daquele dia em que a peguei no colo, ela roubou meu coração, virou minha vida do avesso e não nos deu opção “b”. Ela não estava para adoção legalmente falando, mas o universo, naquele velho jargão, já estava mais que conspirado, era só questão de tempo.
Foi uma luta, literalmente, com muito sofrimento, angústia pelo futuro, mas tudo que queríamos era poder cuidar dela, dar-lhe toda felicidade que uma criança pudesse sentir e todo o amor que merece receber. E conseguimos! Fomos atrás da história e da família biológica, vista como algoz, mas que também era vítima das desgraças da miséria, vícios e dívidas com a justiça. Os pais biológicos morreram no auge da juventude, levados por essas mazelas todas.E, por esses vícios, ela pagou com sequelas: deficiência auditiva severa, obstrução gástrica corrigida com cirurgia, escoliose congênita, má formação cardíaca e desconhecimento, até um ano, do que era ser amamentada, amada, e tudo o mais.
Mas, nesses anos todos, conseguimos recuperar quase tudo o que ela perdeu: é hoje uma linda garota, adolescente, desabrochando aos 12 anos, o que se pode comprovar vendo a foto no meu perfil. Muito, muito, mas muito amada por todos na família, nosso bebê querido, apaixonada pela irmã. Ela me diz , dentro das suas dificuldades de se comunicar, que me ama muito, várias vezes por dia. Sabemos que seu progresso será limitado em termos de aprendizado formal escolar, pois a desnutrição severa e a gravidez alcoólica deixam marcas. Mas o principal ela aprendeu: o que é amar e ser amada.
Tudo o que queremos para a princesa Kelly Cristina é que seja feliz, uma pessoa do bem, só isso.”

Mãe, filha e um amor

Mãe, filha e um amor

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