Amor que nutre – por Lucélia Aguiar

A nona história de amor é da Lucélia Aguiar. Ela vem nos contar como nutre seu filho de afeto todos os dias, por meio da amamentação.

Obrigada, Lucélia!

Tudo estava planejado para eu ter Heitor em casa, em abril de 2014. Meu tão sonhado parto domiciliar planejado virou mesmo um sonho lindo na noite do dia 24 de fevereiro. Heitor nasceu após 79 horas de bolsa rota, com 31 semanas, em um parto natural hospitalar. Não foi o planejado, mas foi lindo, cheio de emoções, carinho e muita oxitocina. Não pode vir direto para mim, pois era prematuro extremo, nasceu com 1,520 kg e 40 cm. Como era pequenininho meu bebê, era só pele e ossinhos, loiríssimo, lindo, lindo. Minha tão desejada vida de mãe mamífera começava. Diferente do idealizado, mas começava. Heitor era forte, um guerreirinho. Nos 23 dias que esteve na UTI, não teve nada além de um quadro de icterícia. Ficou lá para que seu corpinho e órgãos terminassem de se desenvolver, ganhar peso e aprender a sugar, deglutir e respirar.

Mas o depoimento aqui é sobre o meu amor na amamentação de meu bebê, que estava em uma incubadora. Lá na UTI existem duas salinhas para as mamães ordenharem leite. Fui orientada em como deveria proceder no uso da sala, que eu passei a usar de 3 em 3 horas, para estimular a minha produção.

Ainda demoraria algumas semanas para que Heitor pudesse mamar direto nos meus seios. Ele seria alimentado através de uma sonda até ser forte para aprender a sugar. Eu sempre sonhei em amamentar e agora vivia uma situação que nunca tinha pensado em passar. Ali, naquela sala, com a ajuda de meu marido e após ter orientações de uma ou duas técnicas de enfermagem, nós tentávamos tirar o colostro e, junto, vinha uma insegurança enorme ao ver que quase nada saía. No primeiro dia saiu menos de 5 ml.


No terceiro dia, tive a tal apojadura e foi também o dia que tive alta. Chegar em casa sem meu bebê foi muito triste, mas ao mesmo tempo eu sabia que, apesar de estar na UTI, ele estava bem.

Marinheira de primeira viagem, sem saber como agir com a mama parecendo uma pedra e sentindo calafrios, lá fui eu tomar banho quente. Ah, se eu tivesse falado antes do banho com a Tarsila. Logo piorou o que eu estava sentindo e lembro que tive uma noite muito, mas muito desconfortável e triste por sentir os seios pesarem e não ter meu bebê para alimentar, mal consegui dormir. E assim comecei a desejar que todas as noites voassem para que, além de esvaziar os seios, também pudesse ver meu bebê. Minha rotina diária era chegar à UTI às sete da manhã, encher uma garrafa com água de 1,5 litros e entrar ansiosa para ver e dar bom dia ao Heitor e ir para a salinha de ordenha. E assim passava o dia lá, ordenhando de 3 em 3 horas para que meu bebê recebesse apenas do meu leite em todas as suas dietas.

Meu maior desafio era voltar para casa todos os dias. Eu sabia que precisava ir, pois tinha que descansar o corpo para ter leite, mas era difícil. Com o passar do tempo eu fui chegando cada vez mais cansada e cada vez os seios enchiam mais, eu queria ter meu bebê… Mas, dia após dia, eu vencia o cansaço, vencia as dificuldades de estar com meu bebê na UTI, porque dizer que era fácil seguir uma disciplina de ordenhar de 3 em 3 horas, ter controle emocional e disposição, ah, isso não era fácil não…
No dia 14 de março ele veio fazer sucção em mama vazia (e nunca mais ela ficou vazia, hehe). Meu bebê fez duas sugadas e simplesmente dormiu, foi como se ele tivesse corrido uma maratona. Depois deste dia, ele vinha todos os dias treinar na sua mamãe, usava sondinha ainda, mas sua pega e a sua sucção eram a coisa mais linda e emocionante de se ver. Passei a desejar mais ainda levá-lo para casa, e agora faltava pouco. No dia 17 de março tiraram a sonda, e aí, ao invés de apenas ordenhar, passei a amamentá-lo. Seis dias após iniciar a alimentação direto em minha mama, nosso guerreirinho recebeu alta. Saiu da UTI com 34 semanas, pesando 1,930 kg no dia 23 de março e aí nova fase começava para nós.

Em casa, a rotina das mamadas ficaram bem diferentes da UTI. Logo que chegamos comecei a fazer livre demanda. Comprei também uma bomba para tirar leite, o que ajudou bastante, e fazia doação do excedente para o banco de leite humano. Heitor mama muito e espero que mame por bastante tempo. Confesso que no início foi bem cansativo, as mamadas da madrugada então, duravam mais de uma hora. Mas eu decidi que me dedicaria totalmente à amamentação do meu guerreirinho. Hoje, Heitor está com 5 meses de Amamentação Exclusiva. Para mim é uma doação de amor, carinho, tempo e nutrição para meu filho, um momento só nosso e que vai passar rápido e, por isso, aproveito cada mamada. É um amor que só aumenta.

Agradeço a Deus e todo o apoio que tive da minha mãe, da minha sogra, a ajuda da Tarsila, mas acima de tudo, agradeço ao meu marido Leandro, que sem o apoio e a ajuda dele essa dedicação total na amamentação do Heitor seria super difícil.
Filho, que você mame o tempo que você quiser, eu amo amamentar você, Heitor.

lu 1

Dois momentos da amamentação do Heitor: este, ainda na UTI…

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… e este já em casa, bem gordinho, olhos nos olhos com a mamãe Lucélia.

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