Amor de vó – por Marina Lanza

Começa hoje a série das doze histórias de amor que virão para celebrar a vida e incrementar a comemoração pelo primeiro aniversário de minha filha Alice.

Mas antes preciso dizer o quanto tenho me emocionado com as histórias recebidas, todas de tamanha verdade e tanto amor!… Há muito já passaram de doze, mas publicarei todas porque esse mundo amoroso que queremos precisa de todas elas! Ler cada uma me fez pensar tal qual o poeta Vinícius de Morais: eu não ando só, só ando em boa companhia… Feliz por conhecer um pouco dessas pessoas, dessas histórias, desse amor e ter a oportunidade de senti-lo assim, genuíno e generoso.

A história de hoje é de Marina Lanza, que conta do afeto imperecível por sua avó, e põe as palavras para aquecer nosso coração.

Saudade é sentimento estranho. Dói e conforta. É assim que sinto quando penso na vovó. É uma presença que preenche e um vazio que sufoca. Às vezes, o sentimento fica adormecido. Mas aí vem um cheiro, uma flor, uma vontade de colo, e volta tudo. Vovó era uma mulher encantadora. À frente de seu tempo. Foi a primeira a dirigir em sua cidade e, até pouco tempo antes de partir, me perguntou para quê é que serve esse tal de Facebook. Não era muito lá de afagos. Eu vinha, abraçava, beijava, apertava e ela, com jeito, escapulia. Mas, nem precisava, seu amor transbordava no cuidado, na delicadeza, na atenção. Toda vez que a visitava, levava um botão de rosa vermelha, que ela colocava num vasinho ao lado da Nossa Senhora. A rosa abria e ficava ali colorindo o quarto por dias. Vovó dizia que era o amor. Sentava do meu lado pra contar do seu dia ou ver televisão, e me dava sua mão. Quando a pele estava seca, vaidosa, me pedia pra passar hidratante. Quando estava com rolinhos no cabelo, pedia ajuda pra soltar. Dizia que nunca conseguia dormir bem. E, quando eu chegava de mansinho, estava ela roncando abraçada com o jornal do dia ou com seu tricot. Sempre me perguntava o que eu queria comer. Sempre ia ao quarto me cobrir antes de apagar a luz e deitar. Uma vez, quando soube que terminei um namoro e estava sofrendo de dor de cotovelo, me ligou: “Por que não me contou da sua tristeza? Sou sua amiga!”. E assim foi, até ficar velhinha. Ela cuidava de mim e eu, como podia, cuidava dela. Até seu último dia. Sinto uma saudade imensa da sua companhia. Já me peguei seguindo o caminho para o seu aconchego, me esquecendo de que a casa hoje está vazia. Mas meu coração não. Não está e nunca estará vazio. Amor de vó fica com a gente pra sempre. Dói e conforta.

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