Flertando com a vida

Se você quer brincar com isto, pisque os olhinhos. Ela pisca. Se você está cansada, pisque os olhinhos. Ela pisca. Eis um esboço de comunicação que estamos aprendendo com muita alegria. Essa piscadela não é apenas uma resposta às perguntas de seus pais. É uma forma que Alice elegeu para enamorar a vida. Quando abre e fecha os olhos, intencionalmente, é o seu desejo que vem espreitar o mundo e delimitar seu lugar. É sua vontade a manifestar a que veio, com uma dose a mais de charme.

Aos 11 meses, minha filha ainda não é capaz de balbuciar e tem seus movimentos limitados. Mas encontrou, nas vias da doçura e da delicadeza, um caminho para manifestar sua vontade com eficiência, a despeito das habilidades que não possui. Um piscar de olhos permite a ela alcançar suas necessidades. Sutil e certeiro: pisque os olhos e ali estarão seu brinquedo, seu alimento, seu aconchego.

Engana-se quem pensa que esta interação exige pouco empenho. Ao contrário, ela coloca em cada piscadela todo o seu esforço de compreensão e sua expectativa de contentamento. Retribuo com o sorriso da mais genuína alegria ao vê-la se apropriar de seu corpo, de sua vontade, de sua condição de ser e estar no mundo. Percebo que sua capacidade de recriar a própria vida é ilimitada. Por isso, sinto seu piscar de olhos como um bater de asas, um prenúncio de voo rumo à sua autonomia.

olho

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