Só as mães são felizes

Essa semana me encontrei pessoalmente com uma mãe que o “Diário” me apresentou, a Mônica Damásio. Enchi-me de coragem para convidá-la para tomar um café, tão tocada que fiquei por um de seus relatos aqui na página. Ela generosamente aceitou.

Eu esperava conhecer sua história com as filhas trigêmeas: os desafios, as angústias, os tratamentos e as vitórias de três meninas que nasceram há 18 anos, com menos de um quilo cada uma. Mas ela não contou apenas sua história, ela me mostrou como se constrói uma vida com duas únicas urgências: o amor e a alegria. Semeou meu tempo e meu coração com esperança e gratidão. Eu poderia tê-la ouvido por horas a fio, incansavelmente, pela beleza e serenidade que ela emana. Enquanto narrava sua vida, eu me preocupava em guardar cada palavra, cada detalhe, como preciosidades que são. Depois percebi que isso não era necessário. A história dela já estava impregnada em mim, nossas filhas haviam se encarregado de nos colocar mais do que frente a frente, estávamos contidas uma na trajetória da outra. Aquele não foi um encontro, foi um reencontro: ela com seu passado; eu com meu desejo de futuro, nós duas com a alegria de nos sabermos mães desde sempre e para sempre.

Com a autorização dela, compartilho uma das histórias que ela desembrulhou feito presente para mim, nesse encontro:
Uma de suas filhas tem paralisia cerebral, que impacta sua coordenação motora. Aos cinco anos, ela se interessou pelo futebol da escola. Perguntou à mãe se poderia jogar, a mãe sugeriu que ela perguntasse ao professor. Participação acertada junto aos três – filha, mãe e professor -, embora com alguma dúvida de como aquela experiência se daria, dada a dificuldade de marcha da menina. Primeiro dia de aula, a mãe acompanha a filha e observa que o professor corre ao seu lado, segurando-a, durante toda a aula. Ao término do jogo, a mãe sugere à filha avisar ao professor que não era necessário que ele corresse todo o campo ao seu lado, que ela poderia se locomover sozinha. Segundo dia de futebol, a mesma cena se repete, a mãe insiste para que a filha dispense a ajuda do professor. Terceiro dia, a mesma cena, a mãe dá um ultimato: “filha, se você não disser ao professor que ele não precisa correr ao seu lado todo o tempo, amparando você, eu vou ter que dizer”. E a filha, aos cinco anos, ensinou a mãe: “calma, mãe, você me conhece. Ele não”.

Mônica, receba minha admiração, minha gratidão e meu afeto. Você emprestou ainda mais significado à minha maternidade!

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