Enquanto o sorriso não vem…

Pena que ela está dormindo, daria uma foto linda ela sorrindo, disse-me o fotógrafo. Mas ela não sorri, por causa de sua lesão cerebral. Eu mesma me assustei com minha resposta. Soa tão triste. É que o sorriso de minha filha é matéria de nuvem, quando parece que vem, já passou… Avessa a obviedades, ela criou outras maneiras muito próprias de comunicar seu contentamento. Hoje, já tendo compreendido com mais tranquilidade sua condição, concluí que tenho sido seu veículo de expressão.

Ela fixa olhar – eu sorrio; ela amanhece bem – eu sorrio; ela combate uma doença – eu sorrio; ela usa maria chiquinha – eu sorrio; ela cresce vigorosamente – eu sorrio; ela consegue mover os braços – eu sorrio. Sorrio o tempo todo: de alegria, de alívio, de surpresa, de amor. Sorrio a sua vitória, a sua transformação. Sorrio o que ela sorriria, se pudesse. E ela pode: minha filha, eu empresto minha face para você colocar o seu sorriso todos os dias. E eis que ele já não sai mais do meu rosto!

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