A mestre e a aprendiz

Tudo o que adquirimos instintivamente, minha filha aprende com método, disciplina e força de vontade. Sustentar a cabeça, sentar, levar as mãos à boca, segurar um objeto… Cada ação corresponde a um esforço desmedido seu. As tentativas, bem sucedidas ou não, são uma mensagem que seu cérebro assimila para curar a si mesmo, graças à sua plasticidade.

No grego, plastikós é relativo às obras de barro. No latim, plasticu se refere à modelação. O cérebro plástico de minha filha é matéria de barro que ela modela pelo desejo de explorar o que a cerca. Uma obra inacabada, cujo processo de feitura carrega, em si, uma beleza singular. O resultado de sua modelagem não é estático nem palpável, tal qual uma escultura. É fluido, é dinâmico, é movimento. Sua arte é recriar os próprios moldes de sua condição de estar no mundo. Rascunhar-se. Minha filha é artista do indizível e do invisível, sua obra é a própria existência.

O nascimento desta artista fez de mim uma versão ultrapassada de mim mesma. Provocou-me para subversão de paradigmas e conceitos. Convidou-me à reinvenção cotidiana. Ensinou-me a remodelar a vida com originalidade e beleza. Ela é a mestre, eu, a aprendiz.

Anúncios
Esse post foi publicado em Posts e marcado , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s