Era uma vez…

Era uma vez uma menina de cachinhos de ouro que, por volta dos seus 5 ou 6 anos, teve que participar de um teatro na escola: Alice no país das maravilhas. A turma deveria encenar a estória e os personagens foram distribuídos entre os alunos, pela professora. Um era o coelho, o outro era o chapeleiro, um grupo faria os animais da floresta, a outra era a rainha… e a menina dos cachinhos de ouro, embora parecesse protagonizar outra famosa estória infantil, queria ser Alice! A personagem soava, a ela, inteligente e decidida, o que justificava seu encantamento. Ela decorou músicas, ensaiou os passos, caprichou nas poses… Sua família inteira se envolveu em seu investimento: mãe, pai e irmãs ouviam as músicas da encenação por horas a fio e assistiam à repetição de passos pacientemente. Mas uma outra colega, graciosa em suas sardas, foi escolhida Alice. A menina dos cachinhos de ouro teve que se contentar em compor a turma dos seres encantados da floresta.
Um ou dois anos depois, quando aprendeu a ler, o pai da menina dos cachinhos de ouro a presenteou com seu primeiro livro. Capa dura, grande e azul, páginas bem coloridas: era Alice no país das maravilhas. A menina leu cada trecho vagarosamente, na tentativa de fazer com que a estória a acompanhasse noite adentro, e povoasse seus sonhos com a fantasia desejada muito tempo antes daqueles dias. Nem podia imaginar que Alice já começava a fazer parte da sua história. Era uma anunciação.
Muitos anos se passaram, e, na ocasião em que se completou um ano da morte de sua mãe, a menina, que agora era mulher, mas ainda tinha alguma coisa dos cachinhos de ouro, soube que estava semeado em seu ventre uma nova vida. Era a senha da vida renascida em corações amantes. Houve um desejo coletivo e profundo de que fosse uma menina. A cada gesto de congratulação recebida, seguia-se a frase certeira: será uma menina! Mas a um presente não se acrescenta preferência, e assim a mulher esperou pelo dia da revelação.
Foi então que Alice irrompeu de novo, decida e decisivamente a história da mulher, de seu marido e de todos que os cercam. Alice relembrou todos os passos e cenas tão ensaiados e idealizados. Buscou na fantasia mais pura, colorida e alegre o motivo para renascer e, assim, trazer graça, leveza e doçura aos corações maltratados pela tristeza, pela saudade, pela vida que carecia de motivo para novos sonhos. Veio inaugurar novos lugares e papéis. E, nessa nova história que começou a ser escrita, Alice fez morada para toda a família em seu país de maravilhas.

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