Dona de sua cabeça

Foi assim de repente, sem aviso, nem preparação. Brincávamos com os estímulos das mãos, aperta daqui, solta de lá, quando ela reuniu força e concentração numa espiral de coragem e, enfim, sustentou sua cabeça por alguns segundos. Olhos estupefatos, boca aberta, ela mesma se surpreendeu com a conquista. E pôs-se a repeti-la insistentemente, para que não restassem dúvidas de que ela controlava seu movimento. Senhorinha dona de si, começa a assumir seu corpo, aos 9 meses de vida, a despeito de tantas intercorrências e dificuldades. Enquanto ela sustenta a novidade como adereço em seu pescoço, todo o resto está suspenso: minha respiração, meu fôlego, em especial. Na contramão de seu movimento ascendente, minhas lágrimas descem ladeira abaixo ao encontro de uma correnteza de emoções. Ela agora olha o mundo de frente, cabeça erguida. Noventa graus para cima, e uma nova perspectiva de vida tem início.
Seguimos em frente, em busca das rimas inauguradas por quem conquista este pequeno-grande movimento de cabeça.

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